Vamos falar sobre feminismo?


Quando eu falo a palavra “feminismo”, o que vem à sua cabeça? Se é alguma coisa ruim, esse post vai servir para te fazer entender o real significado da palavra. Muita coisa que se diz sobre o feminismo não tem nada a ver com ele – e esse é o problema da desinformação. Por isso que não adianta só “ouvir falar”. É bom pesquisar, ler e se informar (e nem só em relação ao feminismo, mas a tudo nessa vida).
Mas vamos lá, começando do começo. No dicionário, o significado de feminismo é: ideologia que defende a igualdade, em todos os aspectos (social, político e econômico), entre homens e mulheres. Ou seja, feministas lutam por uma sociedade mais justa e igualitária, independente do seu gênero. Em seu discurso para a ONU, a atriz de Harry Potter, Emma Watson, afirmou que “nenhum país do mundo pode dizer ainda que alcançou igualdade de gêneros”. E não dá pra discordar.
No Brasil, isso não é diferente. O machismo mata todos os dias e vivemos em uma sociedade que o reforça desde o comercial de desodorante até à novela das 21h. Somos bombardeadas com ideais de beleza inalcançáveis e, pouco a pouco, vamos nos destruindo para alcançarmos o ideal de beleza. E sabe qual é o problema? Não percebemos isso. Quantas matérias vemos por dia em sites de fofoca afirmando que fulana está velha ou engordou? Esse tipo de conteúdo é muito nocivo, não só para as pessoas que são alvos das críticas, mas para nós mesmas.
Há duas palavras que acho bastante importantes para o feminismo: empatia e sororidade. Empatia é nos colocarmos no lugar da outra pessoa, buscar entender como ela se sente e, assim, tentar compreender o seu sofrimento. E a sororidade têm bastante relação com a empatia, mas ela propõe uma união especificamente entre mulheres. Como? Bom, vou dar um exemplo. Vocês já ouviram que a amizade entre mulheres é falsa? Já passaram por um momento de competição para saber quem é a garota mais bonita da sala?
Pois é. Esse tipo de pensamento é martelado na nossa cabeça pela mídia e acabamos tomando como verdadeiro, mas não deve ser assim. A sororidade aparece para nos mostrar que mulheres não são inimigas e que, para combatermos o machismo, que é um inimigo em comum, precisamos nos unir. Um jeito de você praticar a sororidade é, ao invés de começar a criticar a aparência de determinada garota, entender que ela também é um ser humano e possui sentimentos. E que, por ser mulher, é bem mais provável que ela venha a se machucar por causa das imposições da sociedade machista – assim como você!
Outra coisa importante de se falar: não julgue o sofrimento das pessoas. O que pode parecer bobo e inofensivo para você, pode ser muito cruel para outra. Nós somos seres distintos e reagimos diferentemente às coisas. Então, antes de falar que alguma garota está de “mimimi”, ouça o que ela tem a dizer. Nesse mundo maluco que a gente vive, as pessoas estão diariamente criticando e julgando a dor alheia, sem ao menos se importar em praticar a empatia e a sororidade. Não é preciso ser amiga delas, mas é importante mostrar para as mulheres ao nosso redor (mesmo que elas não sejam tão próximas) que estaremos do lado delas caso elas passem por situações difíceis apenas por serem mulheres.
Mas e que tipo de situações são essas?
Imagine que está fazendo um calor danado lá fora e você quer sair com seu vestido novo – até que se lembra que vai ter que andar muito e não quer dar “motivo” para homens mexerem com você. Aí desiste do vestido e vai de calça mesmo. Só que, infelizmente, a calça não adianta e você precisa escutar caras falando coisas nojentas para você. Já passou por algo parecido? Bem, usei esse exemplo para ilustrar algo que acontece diariamente com muitas mulheres pelo mundo. Não adianta qual roupa vamos usar, alguns homens insistem em achar que podem nos tratar do jeito que bem entendem, como se fossem donos dos nossos corpos.
Vocês devem ter visto esse vídeo abaixo:

Nele, uma mulher caminha por 10 horas nas ruas de Nova York. Ela está de camiseta e calça. Teoricamente, ela não deu “motivo” para ninguém assediá-la, mas assim fizeram. A sua roupa não deveria justificar nada disso. E é essa uma das bandeiras do feminismo: liberdade. Dentre outras coisas, liberdade para andarmos nas ruas, com as roupas que gostamos, sem precisarmos ser humilhadas por isso ou sentirmos medo. Em uma pesquisa feita pelo Think Olga, descobriram que 86% das mulheres não gostam de cantadas e que 81% delas já deixaram de usar alguma roupa ou andar em determinados lugares por causa desse medo.  A campanha Chega de Fiu Fiu que foi criada a partir da pesquisa, resultou em um mapa colaborativo, onde todas nós temos voz para denunciar assédios em locais públicos.
E aí voltamos à sororidade. Antes de dizer que “ela estava pedindo”, reflita. Não é justo uma garota ser hostilizada dessa forma, isso é desrespeito. Você também não adoraria ser livre para usar a roupa que quiser e andar tranquilamente pela rua? Pois é. A solução não é pôr a culpa na vítima, mas apontar o dedo para o verdadeiro culpado da história: a pessoa que pratica o assédio. Todas nós devíamos ter o direito de usar as roupas que bem entendermos. Roupa curta não é “motivo” para assédio, NADA é “motivo” para assédio e isso precisa ficar bem claro na cabeça.

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